[Poema do mês] EU - Florbela Espanca

segunda-feira, dezembro 08, 2014

Eu ...


Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!




Esse poema da Portuguesa Florbela Espanca me marcou muito pois me identifiquei com ele de cara assim que o li, quando eu tinha 13 anos de idade, em um livro técnico de literatura. Infelizmente, não gravei a página dele e só fui achá-lo anos depois, como assinatura em um fórum que eu frequentava. Ele marcou meu período emocore da adolescência. A Portuguesa Florbela Espanca também sofreu muito durante a vida, por isso só escreveu poemas tristes, cada um mais infeliz que o outro, então para mim ela também era meio emo hahaha. O bom de ler os poemas dela é que eles já estão em Portugues, não precisa ser traduzido, então não há perca de rima. Por falar em rima, as dela são extremamente ricas (e melancólicas) assim como as da Emily Dickinson, outra poetisa que adoro. Em breve postarei mais poemas, pelo menos uma vez por mês. 





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